ritual

A força do ritual para o cético e ansioso.

Podemos aprender muito com a força de um ritual, seja ele qual for.

Dentro da rotina urbana, ficamos geralmente sobrecarregados, vivendo momentos de estresse.

E quando nos damos conta, o corpo, a mente e a alma parecem pedir uma pausa para refletir: mas não dá tempo. Há que se continuar.

Inclusive, a propaganda diz: nem doente você pode ficar, tome o remédio xis.

Você não pára. Você nunca pára. A ansidedade vem. O estresse vem. A depressão desmorona. Tudoaomesmotempoagora.

 

Aí entram as manifestações físicas e psicossomáticas da ansiedade, da crise de pânico.

Junto delas, você procura o psiquiatra para tomar um remedinho santo e, em paralelo,

um psicoterapeuta para um acompanhamento: porque está “tudo” errado.

 

Tudo errado. Sério mesmo?

Aí que entra o poder da sabedoria passada pelas nossas avós e antepassados,

das mais diversas culturas, das mais diferentes etnias: o ritual.

 

Vamos identificar as vantagens do ritual para os ansiosos e a importância deles para o nosso dia-a-dia em 3 razões:

 

 

1. O RITUAL DEFINE O PROBLEMA.

Quando estamos em uma crise de ansiedade/pânico é porque não estávamos preparados para sofrer.

E sim, ninguém nunca está (de verdade).

Não é algo que se comeu: “ah, eu comi uma feijoada e daí me deu uma crise de pânico”.

É algo que está se manifestando aos p0ucos no seu sub, in e consciente e se manifesta de maneira derradeira

através da manifestação física.

 

E nesse momento, a gente fica desesperado, tentando sobreviver, atirando para todos os lados,

culpando tudo e todos e tomando todos os medicamentos e tentando fazer tudoaomesmotempoagora.

Ansiosos para tentar resolver o problem de ansiedade.

 

Aí que tá.

A sabedoria antiga dos rituais mostra que, histórica e culturalmente, sempre existiu um anjo, um santo, um orixá (you name it) para ajudar em algum problema em específico.

E esse é um dos grandes diferenciais de quem está assoberbado em uma crise de ansiedade: a falta de foco e a não-definição do problema.

Você é estudante de administração, é design thinker, é até um sprinter para os seus clients, mas para você mesmo… qual era o problema mesmo?

 

Defina o problema.

Tem o santo de quem precisa encontrar namorado, para arranjar emprego, para melhorar a saúde, para abençoar uma região ou bairro, para trazer a paz, até para causas impossíveis. Para qualquer diagnóstico, desde que o problema esteja definido.

 

2. O RITUAL MEDE O PESO DA INTENÇÃO PARA RESOLVER O PROBLEMA.

O peso da intenção é medido na quantidade de coisas diferentes que a gente precisa coletar para resolver.

É como se fosse um RPG da vida real em que você é o personagem principal.

Para essa simpatia, você precisa de folha de arruda de uma praça onde uma galinha cruzou três vezes.

Imagina você nessa praça. Monitorando galinhas. Elas cruzando. Cacarejando. E você lá, contando as vezes.

Quem vai acreditar que você estava fazendo essa merda? Pois é, porque você REALMENTE QUER RESOLVER O PROBLEMA.

 

E assim vale para as velas, para o que quer que seja necessário para o ritual.

O mesmo vale para uma dieta, para parar de fumar, de beber, de comer doces, de começar a se exercitar, a começar a meditar.

Ou seja, qual o peso de intenção que você dá para resolver aquele problema?

Em outras palavras: o que você está fazendo, correndo atrás, batalhando, dedicando-se, com disciplina, para resolver aquele problema?

 

3. O RITUAL TRAZ INTENÇÃO NA RESOLUÇÃO DO PROBLEMA.

Com o problema diagnosticado e uma dedicação em resolver o problema,

naturalmente você está resolvendo o problema, certo?

Mas resolver o problema não é, num simples problema de querer perder peso, ritualizar na balança.

E sim, colocar intenção para você mesmo. E vibrar essa intenção para o mundo.

É como se você evocasse Charles Duhigg do Poder do Hábito e dissesse que agora você mudou seu jeito de comer e se exercitar.

É como se você pusesse uma Data para o início do Novo Você e com uma meta clara a ser atingida.

Seja com a Oração, seja com  Segunda-feira Sagrada do Início das Dietas (eu não acredito em dietas, acredito em reeducação alimentar),

o ritual COM verdadeira intenção deixa de ser apenas uma vontade ou um desejo e se torna uma energia vibrada de você para o mundo.

 

Coisas feitas com intenção são mais verdadeiras. A intenção é ritualizar. É o “mindful eating”, é comer com intenção, por exemplo.

E se você não está conseguindo e disse que as dietas já não deram certo e o que eu falei foi só merda, é porque o problema talvez seja outro.

E daí voltamos a nos debruçar em relação ao diagnóstico… 😉

 

Seja querer evoluir profissionalmente, ganhar um aumento, sair de um emprego que desgasta demais, conhecer alguém legal… tudo isso requer a definição clara de um problema, o peso do quanto você quer resolvê-lo, a energia que você vai dispender para isso e uma ritualização dessa resolução.

 

Ah, e a mensuração de resultados? Como bom administrador que você é, deve ter notado isso, né?

Ah sim, isso existe. Mas é bem arcaico.

Tem aquele ritual anticrístico (mas popular e culturalmente aceito) de colocar um santo de cabeça pra baixo só porque não ahn…  não arranjou alguém até o dia 13.

Até que consiga, daí fica de cabeça pra cima de novo e ganha até oferenda.

 

Façamos mais rituais no sentido de identificar problemas e de ritualizar/valorizar os nossos momentos e nossos desejos.