ansiedade - auto-conhecimento

O lado bom da ansiedade #2 – A capacidade de auto-análise

Ansiedade é uma merda. Mas como todo problema na vida, a gente tem que tirar o melhor dela. É olhar o copo cheio, é ser otimista.

Quando a gente tem uma crise de ansiedade, é terrível. E para tentar resolvê-la, a gente tenta lembrar de todas as coisas que aconteceram e que estão acontecendo para tentar buscar respostas. É um exercício racional, mas, paradoxalmente, totalmente instintivo, de sobrevivência: o que me deixou desse jeito? O que eu fiz recentemente? O que eu tenho feito da minha vida?

Essas perguntas sim, fazem todo sentido, mas estão sendo questionadas no pior momento possível. Geralmente, a gente acaba elegendo um bode expiatório (um projeto impossível, um compromisso perdível, e por aí vai) e acaba culpando. E isso faz total sentido. Em uma das analogias com a vida, eu encaro a vida como um avião em voo. Se tem muita carga, ele começa a perder altitude, e daí é bom liberar certas cargas. Pra mim, é muito clara a relação da ansiedade com o acúmulo de tarefas que assumimos e que não temos certeza se daremos conta.

E, mais uma vez, qual o lado bom desse troço?

O lado bom é a capacidade de auto-análise que a gente cria. Refletindo ao extremo em cada crise para entender o que diabos está desencadeando toda aquela situação horrível te dá um instinto de sobrevivência que está relacionado a fazer check-ups frequentes e tentar antecipar e agir frente a uma possível crise. E isso só se ganha com o tempo, com a experiência. Não é fácil.

A minha ansiedade está diretamente ligada a um evento em que é um grande desafio ou uma carga maior que posso suportar. Ela me avisa, ela me antecipa. Ela me previne de certa forma. Da pior maneira possível, mas previne. A ansiedade me faz ficar ligado, ficar atento. Mais que isso, ficar a mil para resolver o problema.

O bom disso é que treinamos o cérebro e o nosso corpo a antecipar estas situações e daí criamos a capacidade de auto-análise. Antes de acontecer algo, medimos a temperatura das coisas que estão rolando com a gente e definindo próximos passos.

Eu vivo com papeizinhos, com planos macro (do ano) e planos pontuais (dos próximos meses). Eu nunca deixo de ter uma cenoura lá na frente para caçar. Isso me permite que não fique a “deus-dará” o que me deixa ansioso e nem me permite acumular tarefas o que é um “deus-me-livre” de tanta coisa e que também me deixa ansioso.

O legal é que quando a gente exercita e faz da auto-análise um hábito, a gente se torna muito mais pragmático e sensato em um processo de tomada de decisão. As coisas passam naturalmente por um processo que outras pessoas não passam.

Por isso, o hábito da auto-análise é um baita ponto positivo nas coisas boas que a ansiedade te traz.