3 ações para lidar com uma crise de ansiedade

As 3 ações para lidar com uma crise de ansiedade.

Quando você está passando por uma crise de ansiedade, a primeira coisa que passa pela cabeça é: preciso me acalmar, certo? Errado.

Quando você está passando por uma crise de ansiedade, a primeira coisa que passa pela cabeça é: “preciso me acalmar”, certo?

Errado. Para mim, o que funciona é “o que eu preciso resolver na minha vida?” que funciona. Saiba porquê.

Pensa comigo. Os sintomas de uma crise de ansiedade (suor, taquicardia, dor de cabeça, etc.) são recursos que o nosso cérebro utiliza, há dezenas milhares de anos, para identificar uma situação de perigo: seja um mamute vindo em nossa direção, seja um ataque de uma tribo inimiga. Nesse caso, o nosso cérebro ativava o recurso de “fight or flight” (lute ou fuja). Esse recurso se tornou fundamental para sobrevivência em situações limítrofes de perigo.

Entretanto, salvo uma situação de assalto ou outro perigo de morte, nos dias de hoje, que são raros, nós não precisamos acionar o recurso de “lute ou fuja”, certo? Porém, a danada da ansiedade nos faz sentir aqueles mesmos sintomas para situações extremamente triviais: um show, uma festa, caminhando na rua ou até em casa assistindo televisão.

Ué, mas se não há perigo, porque o nosso cérebro nos faz reagir dessa maneira? Será que o nosso cérebro “nos sabota”?

Não necessariamente. Digamos que no “firmware” do nosso Sistema Cerebral, não houve um “update” dessa funcionalidade. Ou seja, é a mesma reação de perigo de morte que, nos dias de hoje, acabamos acionando para situações menos perigosas. Mas como a gente reage? Tentando “se acalmar”.

Mas se acalmar do quê? Não corremos perigo. E é aí que chegamos no ponto. Os nossos problemas, acionados pela crise de ansiedade ou pânico, como quiserem chamar, não são mais de sobrevivência, e sim, psicológicos. Portanto, dá para encarar a crise de pânico como “um problema na nossa vida que está vindo à tona”. Um problema que a gente talvez não tenha total consciência, mas que vai crescendo silenciosamente, ganhando força e, quando nos damos conta, estamos em crise.

Se você está numa crise de ansiedade, não procure se acalmar, procure resolver o problema. Resolvido o problema, você vai se acalmar naturalmente.

Mas como eu posso identificar que eu tenho um problema? Bem, essa é uma das partes mais difíceis.

Tem gente que começa a conversar com o marido, esposa, pais, amigos para tentar descobrir a origem da crise. Tem gente que prefere ficar caminhando pela casa falando sozinho, numa auto-análise. Tem gente que prefere escrever. Ou tem gente que, depois da primeira crise, percebe que tem algo que não está dando 100% certo na sua vida e começa a ligar o radar para tentar se auto-compreender melhor. Ou, é claro, e sempre recomendado, procurar ajuda profissional com um psicólogo e/ou um psiquiatra para auxiliar nessa busca. Eu, inclusive, me consulto frequentemente.

De qualquer forma, dependendo da situação, a nossa própria reflexão e compreensão do nosso problema já ajuda bastante. Por isso, antes de uma futura crise (espero que você não tenha mais, mas se aparecer…) ou durante uma crise, pense em 3 ações que você pode fazer.

As três ações: mudar, parar ou recomeçar.

O ato de mudar é quando alguma coisa não está indo bem daquela maneira. Pode ser um relacionamento que não vai bem, pode ser um trabalho que não te satisfaz, pode ser um sentimento de vazio. E, nesse caso, como as coisas não vão bem, o nosso cérebro nos gera ansiedade, avisando que algo não está indo do jeito que a gente talvez gostasse. Eu dizia que o meu cérebro me sabotava, mas agora eu acho que o meu cérebro me “avisa” de que algo, no meu inconsciente (ou consciente), não vai bem e é preciso mudar.

Por exemplo, eu tive num episódio que precisava passar no vestibular e a ansiedade me “obrigou” a estudar.

ato de parar, acredito eu, é o mais comum mas, ao mesmo tempo, o mais difícil. Geralmente a gente tem rotinas malucas, muita correria, muito trabalho, não paramos nunca. E às vezes a crise de ansiedade vem para nos fazer “voar mais leve”. Por exemplo, imagina um avião que está muito pesado e não consegue levantar voo. Por isso, para voar de maneira fluída e potente, ele precisa tirar carga, tirar bagagem, tirar pessoas. Às vezes a gente acumula bagagem demais e só se dá conta quando estamos já numa crise de pânico.

Por exemplo, eu tinha clarament episódios de ansiedade quando uma chefe despreparada pedia algo praticamente impossível de entregar em um prazo. Nesse caso, a crise me “obrigava” a ir negociar e buscar uma melhor forma de atender a demanda.

E o ato de recomeçar, assim como os outros dois primeiros, é desejar algo novo nas nossas vidas, seja porque nossas rotinas estão cheias de marasmo, seja porque não estamos mais felizes com a condição que temos hoje (um novo emprego, um novo amor, uma nova casa, etc.). Nesse caso, a ansiedade nos impulsiona a pensar no que poderíamos acrescentar nas nossas vidas.

Por exemplo, eu tive crise de ansiedade quando quis vir para São Paulo, pois sabia que o meu futuro profissional estaria aqui.

 

Por isso, na minha opinião, ninguém tem crise de ansiedade “de graça”. Ninguém que está 100% com sua vida acaba tendo crises de ansiedade. E é exatamente por isso que a solução não é simplesmente se acalmar. E sim, diagnosticar o problema que você está vivendo e resolvê-lo da maneira que lhe deixe mais feliz. 🙂

Com o tempo, com a experiência, com o amadurecimento e, principalmente, com a auto-consciência, a gente vai se entendendo melhor e já se antecipando a esses momentos de crise. Para quem sempre foi ansioso, acho que não tem cura, mas tem como prevenir as crises maiores e usar esses “sinais” que o nosso corpo dá para já entender que algo pode ser melhorado e refletir sobre isso.